sexta-feira, 26 de junho de 2009

Rei


Foi meu primeiro ídolo na vida, como já tive vários. Hoje, não tenho nenhum. Mas quando criança, me lembro de imitá-lo (quem nunca fez isso?). Era fantástico vê-lo dançar, cantar, hipnotizar qualquer um que o visse. Muito será dito. Filmes, documentários, teorias da conspiração, tudo isso e mais ainda será ventilado aqui, ali, nos quatro cantos desse mundo. Sim, nos quatro, porque um Rei tem alcance mundial. E, hoje, o planeta ficou menos talentoso, a música perdeu parte preciosa de si.

Perder... a maior dádiva que a música nos dá é fazer com que as obras criadas fiquem pra sempre. Portanto, não sei se perder é bem a palavra. Mas, certamente, o mundo da música estava em suspense pelos shows do Rei, no mês que vem, em Londres. Era a volta de um cara que reinventou a música, recriou o videoclipe, influenciou muita gente. Em resumo, era a volta aos palcos do artista cujo álbum foi o mais vendido da história até hoje. Desde 1982.

Michael Jackson inspirou mães pelo mundo, que queriam ver os seus filhos com nomes de um Rei. Michael foi o primeiro artista negro a chegar ao topo das paradas de sucesso dos Estados Unidos e da Inglaterra, ao mesmo tempo. E lá ficou até que sete das nove músicas do avassalador "Thriller" fossem curtidas, consumidas, apreciadas, todas em primeiro lugar em tais listas musicais. Eram os súditos, saudando a chegada do Rei. E assim, seu recorde, de 100 milhões de cópias vendidas, certamente nunca será superado, ainda mais em dias de pirataria, YouTube e músicas MP3 - por falar em tecnologias, o último ato do Rei foi derrubar o Twitter, a nova febre da Internet, que ficou fora do ar por intermináveis horas, tamanha a quantidade de acessos em busca de notícias de Sua Alteza, o Rei do Pop.

Ao anunciar novos shows, para 2009, vimos todos os ingressos se esgotarem em um dia. Ali se entendeu que ele sempre foi grande, único. Talvez o sentimento de perda, do qual falei lá no início, se refira à isso: imagens que nunca veremos, de um Rei de encontro com o que reinventou, de encontro com seus seguidores. A imagem de um espectro será esquecida, e na memória de todos, assim como aconteceu com Elvis, ficará aquele gênio em estado puro, imortalizado através de sua dança, sua música. Um dia será dito que "Michael não morreu". E, talvez, não mesmo...

Só nos resta agradecer. E continuar ouvindo, apreciando e mostrando aos nossos filhos, netos, que nós tivemos o privilégio de ver um gênio em ação. Alguém que, enquanto pôde, tratou a música como ela merece, como algo único, tratando-a com um perfeccionismo próprio dos seres humanos diferenciados, dotados de um talento extraordinário.

O mundo estranho e injusto em que vivemos faz de um Negro Drama alguém sempre massacrado, cobrado, vigiado de perto. E com o Rei não foi diferente. Mas como ele mesmo cantava: aonde estiver, nunca estará sozinho...

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